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Interior do Amazonas pede socorro

Confira o artigo da Profa. Dra. da UFAM, Hellen Cristina Picanço Simas.

Por Hellem Picanço

As cidades do interior do Amazonas não possuem Unidade de Tratamento Intensivo – UTI em seus hospitais e a capital do estado não dispõem mais de vagas para receber pacientes graves do interior positivos para Covid-19. Nesse cenário, a pandemia mostra a sua pior face: a falta de leitos para tratamento dos doentes: muitos morrem em casa, sem qualquer atendimento médico, outros morrem dentro de ambulância a espera de vaga em UTI. Diante disso, duas medidas urgentes precisam ser tomadas: 1. Criação de leitos de UTI nos hospitais do interior e 2. Criação de hospitais de campanha nas cidades polo do Estado do Amazonas. Medidas estas já solicitadas pelo Ministério Público de Parintins, por exemplo.

Mesmo antes da pandemia, os doentes graves do interior já eram encaminhados para a capital por falta de atendimentos especializados nos municípios amazonenses. Governos entraram e saíram, e os recursos para a saúde nunca foram destinados à construção de UTIs e tão pouco para criação de novos hospitais com equipes especializadas. Durante a pandemia, esse abandono da saúde do interior ficou evidente. Além da espera de vagas, os pacientes do interior com coronavírus precisam contar com a sorte de terem a disponibilidade do avião UTI para transportá-los para a capital. Um transporte para atender os 62 municípios do estado. É uma vergonha, é desumano. Os leitos de UTI precisam urgentemente serem instalados nos hospitais de cidades polo do interior pelo menos, do contrário a aquisição por parte dos governos será de terrenos para mais cemitérios.

Os hospitais de campanhas podem também socorrer o interior. O Pará, por exemplo, já construiu um hospital de campanha em Belém, com 420 leitos de baixa e média complexidade e há proposta de instalação de mais 3 hospitais de campanha nos municípios de Breve, Santarém e Marabá, somando as unidades 720 leitos para atendimentos de paciente com coronavírus no estado paraense. Outros estados brasileiros também instalaram ou estão instalando hospitais de campanha. Então, por que o Estado do Amazonas, que possui 62 municípios, até o momento ainda não colocou em prática essa alternativa? Por que está concentrando os leitos somente na capital e deixando a população do interior entregue ao coronavírus?

Ainda dá tempo de expandir os atendimentos pelo SUS aos pacientes com coronavírus do interior, mas precisamos de ações concretas como as descritas e exigidas pela sociedade amazonense. Todos nós precisamos agir, mas nossos governantes precisam agir mais. O interior do estado do Amazonas pede socorro.

Hellen Cristina Picanço Simas – Profa. Dra. da Universidade Federal do Amazonas – UFAM

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