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Mulheres em Ação: Revolta, Emoção e solidariedade em ato contra a violência em Parintins

Pronunciamentos de vítimas da violência emocionaram as mulheres presentes na área ao lado do Serviço de Apoio Emergencial à Mulher da Delegacia Especializada, no Bairro Itaúna II.

A manhã desta quinta-feira, 25 de novembro, Dia Internacional da Combate à Violência contra a Mulher, foi marcada pela revolta, emoção e solidariedade das integrantes de movimentos populares presentes no ato de plantio de uma muda da espécie Aroeira para marcar a data e expressar as manifestações contra os vários tipos de violências impostos contra as mulheres. O ato aconteceu na área ao lado do Serviço de Apoio Emergencial à Mulher (SEPM/AM) da Delegacia Especializada em crimes contra a Mulher, no bairro Itaúna II, em Parintins, a 369 km de Manaus.

O plantio de uma muda da espécie Aroeira, orientado pelo biólogo Elton Almeida, foi um dos momentos marcantes do ato. Almeida destacou a importância de participar da manifestação, orientando que plantar uma árvore é tão importante quanto cuidar de uma mulher. As ativistas destacaram também o ato como forma de solidariedade às mulheres assassinadas; às tiveram seus direitos silenciados, e às vítimas da Covid-19.

Segundo a organizadora do evento, educadora popular Fátima Guedes, “a aroeira é uma espécie nordestina, mas que se adapta muito bem aqui na Região Norte. É uma espécie que cura as feridas femininas do ventre, da alma e da intelectualidade. Alimenta a fauna silvestre e recupera áreas degradadas. Produz flores masculinas e femininas, reúne em si os extremos da sexualidade, da nossa essência humana”.

Além disso, desta a educadora, “era uma é espécie muito usada por parteiras tradicionais para cuidar de inflamações do aparelho reprodutor das mulheres, do aparelho urinário e usavam também o banho de assento depois do parto. Plantamos esse pé de aroeira como um símbolo e pedimos a toda comunidade que está aqui presente que, ao passar por aqui, transmita as energias que esse pé de aroeira precisa para se reificar como referência de luta, de combate a violência contra as mulheres”.

Guedes lembra também a origem do dia de combate à violência contra a mulher. Em 1960, as IRMÃS MIRABAL – PÁTRIA, MINERVA e MARIA TEREZA foram barbaramente assassinadas na República Dominicana pelo general Trujillo, por lutarem por Justiça Social. Em 1999, a ONU reconhece a luta das IRMÃS e Decreta como Dia Mundial de Combate à Violência contra as Mulheres. Antes de sua morte, Minerva Mirabal pronunciou: “Ainda que me matem, levantarei meus braços do túmulo e serei mais forte”. “Estaremos na LUTA e na Resistência até que TODAS SEJAMOS LIVRES!!!” destaca Fátima Guedes.

Emoção e revolta

O depoimento de uma jovem mãe, de 21 anos, estuprada aos 16, levou as mulheres e homens presentes à emoção. Após anos de busca por justiça, a jovem manifesta esperanças de ver a justiça acontecer. Emocionada ela foi amparada pelas mulheres que ouviram seu relato de denúncia de seu ex-patrão que, segundo ela, vem manifestando vários tipos de ameaças e continua sem punição ao crime cometido.

Para a mãe da jovem artesã Elimara Santos Silva, de 39 de anos, “este dia de combate a violência contra as mulheres é um dia muito importante. Ela se uniu à filha ao relatar sobre o caso. “Minha filha foi violentada sexualmente por seu patrão quando tinha 16 anos e a família não teve nenhuma resposta da Justiça até o momento. Essa mobilização aqui, pra mim, tem outro significado: o de chamar as autoridades para os casos de violências sofridas pelas nossas meninas em que elas foram vítimas de violência sexual; chamar as autoridades para que quando esses homens têm dinheiro, eles arquivam os casos e ficamos a mercê deles; de pedir das nossas autoridades que elas olhem com mais carinho e atenção as nossas jovens, as nossas mulheres que são violentadas e mortas muitas das vezes. Eu, como mãe, não posso dizer que não sinto isso na pele porque eu sinto”, disse, emocionada.

Mais violência

Conforme a assistência social Nayara Maura, da Delegacia Especializada que trata sobre os casos de violência contra crianças, idosos e mulheres, os casos registrados na delegacia nesse ano praticamente já duplicou em relação aos anos anteriores. “Na pandemia, principalmente, teve um número bastante alto de denúncias relacionadas a violência contra a mulher, basicamente a violência doméstica. Em 2019 nós tivemos 171 denúncias e em 2020 tivemos 227. Agora em 2021 ainda estamos contabilizando, mas esse número praticamente dobrou. Estamos tendo bastante denúncias, bastante casos. São solicitadas em média duas medidas protetivas por dia e aí vemos a problemática bem preocupante aqui no município”, relata.

A Delegacia Especializada faz todo o procedimento criminal e o núcleo de serviço social que presta serviço para a delegacia, em conjunto com todos profissionais da Polícia Civil, realiza o trabalho de acolhimento, prestação de informações e orientações a respeito dos procedimentos que serão iniciados. Está previsto que o Governo do Estado disponibilizará mais uma assistente social e um psicólogo para o núcleo de serviço social atuar na demanda do município.

 

Texto: Floriano Lins/Colaboração Gilson Almeida – parintins24hs.com.br

Fotos: Floriano Lins e Phelipe Reis

 

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